A Jornada de Marianinha Pontes em seu 8º Mundial de Corrida de Aventura

Capítulo 3: A Prova e os Desafios
Detalhes da Prova
Para estar numa final de mundial, é necessário buscar o ápice de condicionamento. Pelas próprias exigências de tempo, distância e altimetria, seria muito sofrido e desafiador iniciar uma prova como essa sem poder aplicar meu melhor. A maioria das provas de expedição de 500 km que acontecem ao longo do ano são construídas para durarem não mais que 83 horas. A final do mundial deve ser construída para durar um mínimo de 95 horas.
Privação de Sono e Desempenho
Para mim, acima de qualquer fator palpável como distância e demais métricas, o ponto mais crítico de uma prova de 4 ou 5 dias é o desencadeamento do processo inflamatório corporal causado, principalmente, pela privação de sono e, claro, pela exigência estrutural natural de uma prova como essa.
Eficiência e Estratégia
De uma maneira geral, precisamos realizar cada sessão no menor tempo possível. E, para cada troca de sessão e modalidade, quanto menos tempo parados, mais eficientes seremos em buscar posições. A prova em si é uma longa corrida de velocidade onde as distâncias a serem percorridas são normalmente tão extensas que parece que estamos todos em câmera lenta em busca de sermos os mais rápidos.
O cronômetro é disparado no momento da largada e só para quando a equipe completa atinge a linha de chegada sem ter cometido nenhuma infração no caminho e tendo seguido toda a sequência de modalidades, utilizando apenas mapa e bússola para encontrar o melhor caminho entre pontos previamente marcados nesse mapa.
Estratégia de Sono
Dormir não é necessariamente proibido, mas a questão principal é que, quanto mais você dorme, menos competitivo você fica, porque o tempo parado não é neutralizado no cronômetro. A estratégia primordial dessas expedições de 500 km consiste em perder o mínimo de tempo possível, não errar a navegação e conseguir atribuir o mínimo de sono sem que isso altere a habilidade cognitiva e física de cada equipe.
Sono de menos pode levar a equipe a cometer um erro nas últimas horas de prova, o que pode custar a liderança. Sono de menos também tem efeitos catastróficos sobre a performance. Uma equipe cansada pode ser ultrapassada facilmente por outra equipe que estava duas horas atrás, mas teve 90 minutos de um bom sono.
Conhecimento da Equipe
É sempre um xadrez intrigante e perigoso. Conhecer a si mesmo e aos seus companheiros é um dos melhores caminhos para ser uma grande equipe de corrida de aventura. Saber “ler” um companheiro, antecipar uma necessidade ou predizer alguma possível consequência do presente ato pode ser a grande diferença entre ser campeão mundial ou não.
Nutrição e Logística
Nas provas comuns de ciclismo MTB e/ou triatlo e corrida de rua, somos incentivados a comer carboidratos a cada 40 minutos de atividade. Nas provas de corrida de aventura, sabemos que comer carboidratos demais nos deixa letárgicos e pode até causar quadros de diarreia.
A ideia óbvia seria levar alguma refeição forte para ter um bom aporte energético durante as provas. Ao mesmo tempo, levar comida demais agrega um peso na mochila que pode se tornar quase incapacitante após 30 ou 40 horas de prova.
Impacto da Privação de Sono
Quando acrescentamos a privação de sono a todos esses fatores e detalhes, temos uma realidade pouco conhecida entre a maioria dos atletas das mais distintas modalidades do esporte. Para quase todos os esportes, é notório que uma boa noite de sono é fator determinante para uma ótima performance. Não dormir acaba causando estragos na concentração, altera nosso tempo de reação e dificulta o funcionamento adequado dos órgãos, além de influenciar a ação hormonal desequilibrada sobre nosso metabolismo.
Deslocamento Contínuo
É claro que a expressão da performance passa a ser somente a noção de deslocamento contínuo. Após 50 ou 60 horas de prova, não há mais como acelerar em direção à vitória. O grande possível campeão será, na verdade, aquela equipe que se mantém em movimento linear pelo maior tempo possível.
Conclusão
E assim, encerramos este capítulo sobre a prova e os desafios enfrentados por Marianinha Pontes. Na próxima semana, mergulharemos na importância do trabalho em equipe, as reflexões pós-prova e a conclusão dessa jornada incrível. Fique ligado para o quarto e último capítulo dessa série inspiradora. Não perca! 👫💬
📅 Próxima capítulo: 🔹 Capítulo Final – Trabalho em Equipe, Reflexões e Conclusão 👫💬

Sobre Mariana Pontes
Graduada em Educação Física pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Mariana é uma especialista em treinamento baseado em força máxima e potência, trazendo uma abordagem inovadora e eficaz para nossos programas de treinamento.
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